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Juiz de Fora 164 anos: a construção da memória

A partir do resgate de documentos, imagens e filmes históricos, é possível conhecer a identidade de seu povo

Eduardo Maia
Repórter
29/05/2014
Maria do Resguardo
Registrar a memória da cidade, buscando documentos históricos, imagens e trechos de filmes que resgatam o seu valor. O trabalho de pessoas que aderem à esta causa vem ao encontro da comemoração dos 164 anos de Juiz de Fora. Dentro da sua trajetória, a cidade construiu elementos propícios que provocam uma reflexão aos seus moradores: Qual o valor dou à história da minha cidade? Como as ações das pessoas que aqui viveram em séculos passados reflete na cidade que vivo hoje? Que valor é dado aos espaços arquitetônicos e urbanísticos?
Colecionador de postais, o jornalista e historiador Douglas Fasolato argumenta que é possível as pessoas se interessarem pela sua origem, a partir dos elementos históricos destacados. "Quando as pessoas têm acesso às imagens da cidade de décadas passadas, é possível que elas comparem, opinem sobre qual a cidade elas querem, como isso vem sendo mudado ao longo do tempo, do ponto de vista urbanístico, arquitetônico. São possibilidades que a imagem oferece", afirma.
Autor do livro Juiz de Fora: Imagens do Passado, Fasolato disponibiliza imagens de importantes monumentos e etapas da vida sociedade, de maneira a retratar especificidades da identidade do povo juiz-forano, além de elementos como o Parque Halfeld e o Grupo Central. "Facilita a compreensão e a comparação e permite ver que a cidade perdeu quase todo o seu patrimônio", observa.
Há anos pesquisando acervos particulares e públicos, documentos de cartórios e igrejas, além de correspondências, o superintendente do Museu Mariano Procópio defende a reconstrução de elementos que permitam às pessoas conhecerem e compreenderem o passado. "No bairro Santo Antônio, até 1911, estavam as ruínas da antiga capela e do antigo cemitério. Usando mapas e com as informações topográficas, é perfeitamente possível localizar onde nasceu Juiz de Fora e a partir disso criar um marco onde nasceu a cidade. Com a tecnologia, é possível fazer um projeto em 3D, que permita às pessoas perceberem a evolução da cidade. A tecnologia pode e deve ajudar".

O passado na rede

Seguindo a linha de identificar momentos importantes da cidade e elementos artísticos que a caracterizam, Marcelo José Lemos criou o blog Maria do Resguardo em 2009. De lá para cá, já postou mais de duas mil fotografias e ainda possui um acervo de quase dez mil imagens para serem digitalizadas. "Sempre gostei de fotos antigas, de ver a cidade como era no passado. Na Internet, havia muitas fotos sem qualidade e eu ficava chateado com aquilo. Andei procurando com vários colecionadores. Queriam me vender as fotos. Passei a comprar e cheguei a gastar quase R$ 5 mil em fotos", conta.
De acordo com Lemos, apesar de ser uma iniciativa que tem por objetivo apenas divulgar o patrimônio histórico da cidade, não foi vista com bons olhos por alguns historiadores. "Criei o blog, coloquei uma foto e o Márcio Delgado, professor de História, me incentivou a postar somente fotos antigas. No início, tive problemas com colecionadores, dizendo que eu estava banalizando a História. Mas não liguei, continuei fazendo. Percebo que os juiz-foranos não tem muito interesse pela sua história. Somente três colecionadores, que não são da cidade, aceitaram em contribuir. A maioria não tem mão aberta (sic)", reclama.

Desde a sua criação, o site possui cerca de 800 mil views e conta hoje com uma página no Facebook. Entre as categorias, destacam-se fotos da avenida Rio Branco, do comércio da cidade, da rua Halfeld, a zona boêmia de Juiz de Fora, entre outros pontos característicos da antiga princesinha de Minas. "Este trabalho é um estímulo para que as pessoas compartilhem a nossa história, mas infelizmente muitos não dão os devidos créditos. A minha preocupação é que o autor da foto não seja identificado. Perder esta origem é matar o autor ou quem guardou o arquivo. Há muitas fotos que coloco e não sei a origem. Qualquer pessoa que entrar no blog e informar quem tirou a foto, fico imensamente agradecido."
O projeto é também coordenado por Jorge Couri Jr., Emanuel Silva, João Batista de Araújo e Ramon Brandão. Além deles, recebe a colaboração de Humberto Ferreira, Márcio Delgado, Vinícius Paiva, Franco Groia, Cássio Moreno, Sylvio Mário Bazote e Alessandro Driê.

A evolução do registro audiovisual na cidade

À frente de dois projetos de pesquisa na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), a professora e pesquisadora Christina Musse resgata elementos da memória a partir de depoimentos e vídeos. O primeiro, Comunicação, Cidade, Memória e Cultura, trabalha com a recuperação da história da imprensa, propondo uma cartografia dos jornais e revistas da cidade.
A partir de um estudo da produção audiovisual da cidade, de 1950 a 2010, o projeto Cidade e Memória: construção da identidade urbana pela narrativa audiovisual faz um levantamento sobre a produção de filmes e vídeos, capazes de registrar elementos importantes da história juiz-forana. "Começamos a trabalhar desde o final de 1950, quando houve a criação do Centro de Estudos Cinematográficos (CEC). As pessoas ainda não tinham acesso à televisão e o cinema era um ritual de iniciação ao conhecimento", conta.
Por meio de entrevistas e documentos, foi possível identificar momentos importantes dentro da trajetória do audiovisual na cidade, entre eles sediar o primeiro festival de cinema no Brasil. "Em 1966 e 1967, ocorreram dois festivais de cinema em Juiz de Fora. Segundo algumas fontes, o de 66 foi o primeiro festival de cinema brasileiro no país. Naquela época, o cineclubismo já estava acontecendo apesar do governo militar. Fazer filmes eram difícil por causa da censura. Mas Juiz de Fora impressiona pelas críticas detalhadas sobre cinema no principal jornal da época, o Diário Mercantil", relata.
Junto à aluna Haydêe Arantes, Musse lançou na última terça-feira, 27 de maio, o livro Memórias do Cineclubismo – A Trajetória do CEC – Centro de Estudos Cinematográficos de Juiz de Fora. A obra aborda a história de um grupo juizforano criado em meados do século passado, cujas influências cinematográficas foram ao auge durante a década de 1960 e reverberam na cultura da cidade até hoje.

Os registros hoje

Dentro do mesmo projeto, Musse e os demais pesquisadores fazem um levantamento dos registros audiovisuais produzidos hoje. "Já produzimos um artigo sobre a MC Xuxú. Foi um dos primeiros artigos que falam sobre essa força no YouTube na divulgação da periferia. A gente começa perceber que o foco começa a mudar. Antes as pessoas tinham a ideia de que era preciso educar as pessoas que estavam à margem. As periferia hoje diz: não precisamos que ninguém venha nos dizer o que fazer. Temos uma inversão imensa de papeis. Faz-se poesia na periferia. E esta é uma mudança muito grande sobre como as pessoas se comportam a partir do acesso às redes sociais. É uma mudança muito saudável e que empodera as pessoas", conclui.

http://www.acessa.com/cultura/arquivo/noticias/2014/05/29-juiz-de-fora-164-anos-a-construcao-da-memoria/
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 01 de Abril de 2012
Nostalgia virtual
Páginas da web resgatam história da cidade e lançam debates sobre a antiga e a atual Juiz de Fora
"O que é uma fotografia antiga senão uma fração do tempo eternizada num pedaço de papel, que deliciosamente serve, a qualquer momento, para a apreciação de todos e para fazer viajar nas lembranças." Sem deixar de lado o tom nostálgico de quem relembra o passado, o blog "Maria do Resguardo" (mariadoresguardo.blogspot.com) convida a população a doar uma cópia das fotos amareladas, muitas vezes esquecidas nos álbuns de família. O resultado é um acervo de mais de cinco mil fotografias antigas de Juiz de Fora, muitas delas raras, postadas. Além de reviver a memória de eventos, locais e pessoas que fizeram parte da história da cidade, diversas páginas da rede se propõem a lançar questões atuais ao debate. Em meio aos discos e CDs de hard rock, heavy metal e rock progressivo, o fundador do blog "Maria do Resguardo" Marcelo Lemos não esconde a predileção por raridades. O hobby de colecionar antiguidades deu origem, há quase dez anos, a um dos maiores acervos de fotografias antigas de Juiz de Fora. Proprietário da Ethereal Records, Marcelo fez da loja de artigos musicais ponto de encontro de colaboradores. Desde 2009, ele publica na página da web imagens de seu acervo pessoal, assim como material cedido por repórteres fotográficos, profissionais e amadores. Outras dez mil imagens já foram arrecadas e aguardam o momento de serem postadas ao lado dos raros registros da construção da antiga prefeitura da cidade, da montagem da torre da extinta Rádio Industrial e das históricas enchentes do início do século XX.
Estimando ter alcançado mais de 200 mil acessos desde o início do projeto, o fundador define o blog como um "grande álbum aberto". "Disponibilizando essas fotos, estamos resguardando a história de Juiz de Fora. Essas imagens são patrimônio da cidade e dos moradores, e poderiam se perder se ficassem escondidas nos álbuns de família", pontua. O tratamento das imagens e a publicação em alta resolução são vistas por Marcelo como aspectos fundamentais à preservação do acervo. "Muitas vezes, encontramos fotos antigas em sites, mas, quando vamos abri-las, estão muito pequenas, com resolução muito baixa, sendo impossível reproduzi-las. A qualidade das imagens assegura sua divulgação e eternização", explica.
Apesar da ampla divulgação de um material que considera "pertencente aos juiz-foranos", o fundador afirma ter preocupação constante com a autoria das imagens expostas. "Consigo a grande maioria das fotografias diretamente com as pessoas que as tiraram ou suas famílias e dou o devido crédito aos seus autores."
Pesquisas acadêmicas, artísticas e jornalísticas (caso de imagens publicadas nos jornais "O Tempo" e "O Dia') já utilizaram o blog "Maria do Resguardo" como fonte, segundo seu idealizador Marcelo Lemos. Na exposição "Palimpsesto", programada para este mês no Centro Cultural Bernardo Mascarenhas, projeções de imagens da Juiz de Fora atual vão se transformando até revelarem fotografias antigas que ilustram os mesmos locais. A exposição interativa, que tem apoio da Lei Murilo Mendes, tratará do "patrimônio que é perdido diariamente", de acordo com o artista plástico e idealizador da mostra Rafael Fernandes. "Procuramos tirar as fotos atuais no mesmo ângulo das antigas, que, em sua maioria, conseguimos no site 'Maria do Resguardo'", conta Rafael, que utiliza o acervo do blog em suas pesquisas há cerca de dois anos.
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Jornal do Senado usa foto do Blog Maria do Resguardo.
Clique aqui para ver a matéria.
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2 comentários:

  1. biscoitos gelco, a lata marcou minha infancia.meu irmao aprendeu a escrever copiando o nome gelco abaixo dos meninos. gostaria de conseguir uma lata antiga do bicoito.

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